Alexandre Higuchi

A Vida, o Universo e Tudo mais

O Prisioneiro de Chillon

Posted by alehiguchi em 14/09/2008

Esse é o Castelo de Chillon. A prisão desse castelo inspirou o Lorde Byron a escrever seu poema “O Prisioneiro de Chillon”.

Essa é a prisão de Chillon. Aqui ficou aprisionado o monge François Bonivard, que inspirou o conto de Byron…

 

Inscrição feita pelo Lorde Byron na coluna da prisão…

 

Alguns trechos do poema traduzido:

 

O PRISIONEIRO DE CHILLON

 

I

Meus cabelos estão brancos,
mas não pela minha idade,
Nem ficaram assim repentinamente,
Da noite para o dia,
Como sucede aos homens angustiados;
Minha fronte está curvada, mas estou lúcido,
Apenas anquilosado pelo vil sedentarismo,
Que me impõem as limitações do calabouço;
Sou, portanto, uma daquelas vítimas
Para quem o ar livre e as paisagens
Estão mortas e sepultadas, pois estou preso,
Mas isto é o resultado da fé do meu pai:
Estou acorrentado e cortejado pela morte;
E meu pai pereceu martirizado
Por um ideal que jamais abandonou
E porque dele jamais se afastaria,
Por isso, nas trevas encontrou sua morada;
Éramos sete, agora resta apenas um,
Éramos seis jovens e um velho,
Que acabaram tal como começaram,
Orgulhosos por combaterem o ódio;
Um queimado, dois nos campos de batalha,
Seus ideais foram marcados com seu sangue,
Morrendo como seu pai também morreu,
Pelo Deus que seus inimigos renegaram;
Três foram executados na prisão
Dos sete eu sou o único sobrevivente.

[...]

XIV


Ignoro os meses, os dias e os anos,
Não os contei, não fiz anotações -
Não acreditava que meu olhos inda se abrissem,
E que fossem limpos da poeira do tempo;
Mas os homens, afinal, me libertaram;
Não perguntei por quê e nem onde estava;
Não me importava a distância nem o tempo,
Estar preso ou livre dava no mesmo,
Pois aprendi a amar a desesperança.
Agora que a liberdade se aproxima
E todas as correntes serão partidas,
Percebo que estas grossas paredes
São para mim, uma ermida somente minha!
E sinto como se elas estivessem a chorar
E como se fossem o meu segundo lar:
As aranhas se tornaram minhas amigas
E eu as observo no seu soturno labor,
Vi os camundongos brincarem ao luar,
Por que deveria me sentir inferior a eles,
Se vivemos todos sob o mesmo teto?
E eu o monarca daquele reino,
Poderia matá-los após chamá-los intrusos!
Naquela quietude onde aprendi a viver;
Minhas correntes e eu ficamos amigos,
Uma longa convivência mútua
Tornou-nos o que somos: – ainda que eu
Tenha recuperado esta enfadonha liberdade!

2 Respostas to “O Prisioneiro de Chillon”

  1. Olha só, vandalismo literário.

  2. Jamille disse

    Estar preso ou livre dava no mesmo,
    Pois aprendi a amar a desesperança.
    Agora que a liberdade se aproxima
    E todas as correntes serão partidas,
    Percebo que estas grossas paredes
    São para mim, uma ermida somente minha!

    belíssimo!

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