Alexandre Higuchi

A Vida, o Universo e Tudo mais

Homenagem aos que se vão

Publicado por alehiguchi em 30/08/2009

Um dia todos se vão. É o que se acontece quando não se é imortal. É muito importante termos isso em mente para entender as próximas linhas…

Hoje foi a vez da minha vó. Essa foi a partida mais próxima que experimento desde que me entendo por gente.

E fiquei orgulhoso!

“Orgulhoso?” – podem me perguntar – “Como uma partida de alguém querido pode ser descrito como orgulho?!?!”

Na minha visão de mundo, pode e deve.

Hoje em dia a tecnologia nos permite saber muita coisa. Às vezes detalhes demais: Acidente Vascular Cerebral (AVC), Insuficiência cardíaca, morte cerebral… Pois bem, fico com a definição de antigamente: ela morreu de velhice, que é a maneira como todos que não tem pretensão de vida eterna querem partir. Tomara que eu morra de velhice um dia.

Também foi algo rápido, condizente com uma pessoa cujos olhos nunca rolaram lágrimas, pois com tanta vida para viver, não tinha tempo para tristeza.

E por ser rápido, não foi um fardo para os outros – coisa que ela não admitia: ficava brava até mesmo ao receber presentes – “Não gaste dinheiro comigo! Eu não preciso!!!”, sendo essa uma das raras ocasiões em que ela ficava realmente brava.

E como sempre chega a hora, hoje foi a dela. E sua partida fechou com chave de ouro sua presença. Uma vida de conquistas e alegrias seguida de uma partida da melhor maneira desejada.

Saudades? Teremos muitas!

Mas devemos aprender que saudade não é tristeza nem ausência.

Saudade é nos lembrar de momentos felizes. Se temos saudades é porque temos muita alegria guardada em nosso coração. Saudades é ter histórias da pessoa para contar aos nossos filhos e netos e com isso – quem diria? – torná-la imortal.

Dona Nina, nota Dez! Parabéns, passou com louvor!

E o mesmo brilho de orgulho que vi em seus olhos no dia em que me formei hoje brilham nos meus olhos.

2 Respostas para “Homenagem aos que se vão”

  1. Nine de Azevedo disse

    ALe ,seu texto é muito bacana .Tb gostava imensamente da minha avo,a perdi com 15 anos e ainda tenho estorias dela para me lembrar e contar as outras geraçoes que vieram depois bjs

  2. Silvia disse

    Alê, a vó é imortal mesmo. Também foi a maior perda que eu já tive e com certeza uma das maiores que poderia ter. Vai ser difícil, mas vamos nos acostumar com a idéia e continuar recorrendo a ela nos momentos de angústia, como sempre fizemos, mas agora de outra forma. Cada um vai encontrar a sua.
    Um beijo,
    Sil

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