Alexandre Higuchi

A Vida, o Universo e Tudo mais

A influência da Apple e Steve Jobs

Publicado por alehiguchi em 15/10/2011

-       Quem é esse Steve Jobs?
-       Steve Jobs, que criou a Apple
-       Ah, Apple é aquela que fabrica computadores que não dá para rodar Windows né?

Essa era a resposta que eu invariavelmente obtinha, lá pelo final dos anos 90 e começo do milênio, ao comentar empolgado sobre a volta de Steve Jobs à presidência da Apple.

E também o motivo pelo qual, apesar das centenas de artigos a respeito, percebi que sim, tenho que escrever sobre a Apple, tenho que escrever sobre Steve Jobs…

Pois enquanto os produtos dele deixam a vida das pessoas mais fáceis, para mim a influência foi um tanto maior…

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“- Vamos comprar um computador para você.” – Nunca me esqueço dessa frase, ouvida aos meus onze anos. Para contextualizar, nunca tínhamos os brinquedos mais caros e para jogar videogame só indo na casa de amigos. Não que isso fosse um problema, pois naquela época brinquedos eram emprestados e divididos…

… mas um computador! Aquela máquina misteriosa que algumas empresas usavam para criar outras coisas! Que apareciam nos filmes de “nave espacial”! Isso para um garoto que passava os dias tentando construir coisas novas, vendo o que poderia ser espetado na tomada sem sair faísca (aprendi a fazer linguiça frita espetando dois garfos e ligando eles na tomada)… Isso era quase inimaginável…

Noites sem dormir, noites sonhando com o tal computador…  O manual veio uma semana antes e foi devidamente consumido, lido e relido…

Até que chegou. Um Apple II. Conectar na televisão, tomada, aperta o botão e apareceu: uma tela preta com um ponto piscando, hipnoticamente!

Sim, pois era isso que os computadores faziam naquela época ao serem ligados. Nada de mouse, nada de gráficos ou de mensagens. Eram um planeta hostil e inabitado, sem oxigênio, sem água, sem vida. Pedindo para serem terraformados.

E eu, uma criança brincando de deus, tinha a incumbência de trazer vida àquele universo negro, a partir de um único ponto de luz cintilante. Mas aquela criança estava preparada e confiante, pois tinha lido o manual de como ser deus e escreveu:

10 INPUT “Qual é seu nome?”; A$
20 PRINT “Olá “A$

E ao executar o programa:

]Qual é seu nome?
>Alexandre
]Olá Alexandre

Fiat Lux! It’s Aliiiiiveeeee!!!! Eureka!!!

E no primeiro dia a luz foi criada e uma centelha despertou dentro daquela criança, que passava quase a totalidade de seu tempo livre criando seu universo particular.

Criava seres que somavam dois números, bonecos de palito que pulavam polichinelo, seres que escreviam retas e pontos na tela, seres que sorteavam números para caso não se achassem os dados de um jogo de tabuleiros, pois esse deus jogava dados.

E para criar seu próprio universo, descobriu que precisava entender o universo em que existia.

Para conseguir desenhar uma circunferência, precisou entender como se usava seno, cosseno e tangente (e é por isso que até hoje a computação gráfica tem dificuldades com objeto redondos). Para arremessar um projétil na catapulta de seu mundo eletrônico, precisava primeiro descobrir as leis de Newton.

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Com o tempo, percebi que a capacidade de criar universos dentro de um computador era maior e que essa capacidade transbordaria para fora da tela e alteraria o mundo em que vivemos. E foi quando percebi que minha vida e portanto minha carreira deveriam estar de alguma forma conectadas à tecnologia.

iPads, iPods e iPhones… São dispositivos muito bacanas e uso todos eles no meu dia a dia. Mas o que ajudou a me transformar no que sou foi o primeiro computador pessoal inventado: o Apple II.

Obrigado Steve Wozniak, por criar o computador pessoal.
Obrigado Steve Jobs, por levar ele às lojas.
Obrigado aos meus pais, por trazer da loja para as minhas mãos.

2 Respostas para “A influência da Apple e Steve Jobs”

  1. David Rissato Cruz disse

    Hoje mesmo no café da manhã estava comentando a sorte que tive em 1983 de meu vizinho ter um Apple, de meu irmão ser 3 anos mais velho e ser alucinado por ficcao cientifica (ele quem encheu o saco dos meus pais para ter um), e meus pais terem comprado este “brinquedo” caro para nós! Lembrei até dos cheiros da minha infancia ao ler este post. Nao é necessário dizer que me identifico 100% com ele (ou melhor, 99%, pois meu primeiro computador foi um CP200S). Realmente foi uma época fantástica onde tinhamos muito esta sensação da criacao em nossas maos. Gracas tambem à revista Input, da Nova Abril Cultural (tenho elas encardenadinhas aqui em casa, pois considero-as meu professor de informatica).

    • alehiguchi disse

      Verdade. A revista INPUT também foi outro marco importante na história da computação nacional… Em épocas pré-internet tínhamos pouca informação a respeito

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